Cigarro eletrônico é apenas uma estratégia de marketing nociva à saúde – 03/06/2025 – Opinião

Sem qualquer comprovação científica, os dispositivos eletrônicos para fumar são apresentados aos público pela indústria do tabaco como alternativas menos nocivas que o cigarro convencional —”não queima, não é tabaco, deve ser melhor”.

Essa estratégica não é nova. Foi assim no passado com os cigarros com filtro e os de baixo teor de alcatrão e nicotina que, diferentemente da propaganda, mostraram-se incapazes de reduzir a morbidade e a mortalidade de fumantes. É assim agora com os vapes, anunciados como sendo 95% menos nocivos para o organismo, mas que não reduzem em nada os danos para a saúde: aumentam o risco de infarto do miocárdio, infecções respiratórias e doenças pulmonares como bronquite e enfisema até mesmo em jovens fumantes.

As afirmações do CEO da Philip Morris Brasil, Branko Sevarlic, em entrevista publicada nesta Folha (25/5), recomendando e-cig como substitutivo dos cigarros convencionais, só podem ser entendidas, portanto, como estratégia de marketing que visa a redução de danos —não da saúde das pessoas, mas das finanças da indústria do tabaco, impactadas por mais de três décadas de quedas consecutivas de fumantes no planeta: 37,7% entre as mulheres e 27,5% entre os homens.

Essa estratégia de marketing perversa para a saúde pública parece, infelizmente, conquistar resultados. Segundo o Ministério da Saúde, pela primeira vez em mais de 30 anos de uma política antitabagista exitosa, o Brasil registrou no ano passado crescimento de 25% no número de fumantes nas capitais brasileiras em relação a 2021.

Nesse mesmo período também houve avanço do número de usuários de cigarro eletrônico, com especial ênfase entre as mulheres, grupo que apresentou 100% de crescimento de prevalência de tabagismo nessa modalidade. Os dados colocam em xeque a falácia da indústria do tabaco, que mais se assemelha a uma fake news, de que o e-cig é eficaz como substitutivo do cigarro convencional, numa estratégia de redução de danos para a saúde do usuário.

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Para citar apenas dois entre tantos estudos, pesquisa com jovens de 16 a 19 anos no Canadá, EUA e Reino Unido mostrou que o vape não apenas não substitui o cigarro convencional como também serve de porta de entrada para o vício a novos usuários, muitos deles que nunca haviam fumado antes.

Os e-cigarretes são também mais viciantes, por apresentarem níveis de nicotina superiores aos cigarros convencionais. Ao serem privados do produto, seus fumantes apresentam sintomas mais intensos de abstinência. Esses dispositivos podem ser tão letais quanto o fumo convencional. Pesquisa recente, que envolveu meta-análise de 107 estudos, provou impacto importante no aumento de riscos cardiovasculares, de acidente vascular cerebral e de distúrbios metabólicos também entre os jovens.

O Brasil dispõe de tratamentos eficazes e seguros para combater o vício com medicamentos aprovados. O sucesso na cessação do tabagismo, portanto, não requer a introdução de vapes no mercado, como quer fazer crer a cobiça da indústria do tabaco, que coloca em risco a saúde das pessoas e, especialmente, de nossos jovens.

O Ministério da Saúde e as secretárias estaduais e municipais de todo o país, em conjunto com os profissionais de saúde, devem redobrar sua atenção neste momento dramático em que a indústria do tabaco volta a potência financeira de seu marketing para abalar os alicerces da nossa política de saúde pública contra as doenças decorrentes do vício no cigarro, seja na forma tradicional, seja no modelo eletrônico.

Os órgãos públicos competentes, portanto, devem reforçar suas ações para impedir a entrada por contrabando e o comércio ilegal de cigarros eletrônicos, impedindo sua livre comercialização em lojas de varejo, bancas de jornal, padarias, bares e na internet —como tem ocorrido amplamente. Campanhas devem ser reforçadas e ampliadas, especialmente para o público jovem.

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Os 30 anos de êxito do programa brasileiro de combate ao fumo nos ensina que não há justificativa, do ponto de vista da ciência, para a aprovação de tal produto no país. Pelo contrário: seu banimento deve ser abraçado pelos órgãos públicos das três esferas, defendido pela ciência médica e reforçado pelo debate na opinião pública.

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